<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562</id><updated>2011-12-02T10:25:19.416Z</updated><category term='2012'/><category term='Apocalipse'/><title type='text'>A Metamorfose</title><subtitle type='html'>Relato da minha penosa transformação em Ghandi.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-5592240764228973054</id><published>2008-04-09T18:05:00.003+01:00</published><updated>2008-04-09T18:15:44.036+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Apocalipse'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='2012'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;2012&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto os estudantes de engenharia aconselhavam-me a subir para o poste mais alto que encontrasse e aí ficasse o resto da vida, imitando um estilita. Agradeci-lhes profundamente e em troca ofereci-me para os ajudar caso precisassem, um dia, de lutar pacificamente pela independência de alguma coisa. Antes de me conseguir despedir, porém, um homem rugoso e despenteado arrastou-me para um canto sombrio. Tinha pavor nos olhos e carregava uma pá e um grande saco cheio de garrafas de água, pacotes de bolacha e latas de conserva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ouvi, eu ouvi! O senhor disse que respirava a paz dos desertos! Por isso também sabe. Sabe, não é verdade? Talvez não saiba, talvez tenha apenas visões ou pressentimentos informes. Mas a julgar pelas suas roupas é humilde, e como tal tem o direito de saber a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisei de responder. Os meus olhos devem ter brilhado mais do que qualquer "sim", tal era a minha alegria por conhecer um homem que possuía a verdade e estava disposto a partilhá-la com os simples. Sempre receoso, à procura de qualquer coisa nas próprias sombras, aproximou-se e pronunciou um número:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 2012.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2012. A data do fim do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A 21 do 12 de 2012 o mundo, para os humanos, vai acabar. Já não restam dúvidas. Não é preciso abrir muito os olhos para se ver os sinais. Seremos todos extintos, se não por nós próprios, pelo cruel destino da natureza. Porque é que está a sorrir? Acha que estou a mentir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jamais, senhor. Estou apenas feliz por saber a verdade. Porque, seja ela qual for, sabê-la é motivo para uma alegria infinita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escute bem. E passe a palavra. Primeiro, o calendário Maia. Na verdade, um conjunto de calendários que durante séculos nunca falharam, e ainda são usados. O calendário Maia termina a 21 do 12 de 2012. Estou a ver o que me dirá... "seu incauto, é apenas um calendário. Também para os Maias o 400 era o número limite, uma espécie de infinito, o que é um absurdo", é o que me dirá. E realmente não basta para nos assustarmos! Mas e se outros povos, livros e profetas apontarem para semelhante data? O calendário hindu Kali Yuga começa em 18 de Fevereiro de 3102 a.c., apenas 12 anos antes do quinto grande ciclo Maia. Fazendo as contas, a Era Dourada de Krishna poderá começar em 2012, seja lá o que isso for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reflecti um pouco nestas palavras. Realmente, lembrei-me eu, no Brahma-Vaivarta Purana Krishna, encarnação de Vishnu, diz a Ganga Devi que uma Era Dourada virá quando passarem 5000 anos de Kali Yuga, uma era maravilhosa que durará 10000 anos. Segundo me lembrava, Kali Yuga começara por volta de 3100 antes de cristo. Somando 5000 dava 2100, mais ou menos, e não havia assim muita diferença entre 2012 e 2100.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois, seguindo a precessão dos equinócios, a Era de Peixes vai terminar mais ou menos por esta altura e iniciar-se a Era de Aquário. Sabe o que acontece nas mudanças de era: dilúvios, guerras, fome, catástrofes horríveis. Quer mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acenei com a cabeça. Estava muito interessado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há estudos que indicam que as reservas de petróleo acabam em 2012. Só isso chegaria para uma grande mudança, porque quase tudo é movido a petróleo. Mas está também prevista, para 2012, uma enorme tempestade solar que vai destruir por completo as estruturas eléctricas. Imagine o mundo moderno sem electricidade e sem petróleo, meu caro! A palavra "moderno" passará a ter um significado sinistro, não concorda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perfeitamente, caro senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O campo magnético da Terra está a ficar cada vez mais fraco, o que adivinha para breve uma inversão dos polos magnéticos. As bússolas apontarão para sul e os satélites de navegação e comunicação ficarão inoperacionais. Sem este campo para nos proteger da radiação solar a atmosfera vai arder. Juntando este facto às profecias, 2012 será o ano mais provável para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto não acaba aqui. Veja as notícias. A economia americana, a maior do mundo, está a estagnar e países como o Irão, aplaudidos pela simpatia cega dos anti-americanos, estão prestes a conseguir armamento nuclear. A água potável é cada vez mais escassa, prevendo-se para breve várias guerras por esse bem essencial. Que futuro tem a humanidade sem água para beber? E o aquecimento global é já um facto - os polos estão a derreter, a corrente do Golfo pode parar e dar início a uma nova era glaciar, que pode ser em 2012.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De seguida o senhor, já cansado, fez uma pausa enquanto me fitava com toda a atenção. Eu sorria-lhe com uma incontida satisfação pelo que me acabava de dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque é que continua a sorrir? Disse alguma piada? Estou a mostrar-lhe que este mundo vai acabar, e que vamos sofrer provações terríveis até lá! Não acredita? O que é que quer mais? Nostradamus, Joaquim de Fiore, a Bíblia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caro senhor, eu não tenho razão nenhuma para não acreditar, e menos razão ainda para deixar de ser feliz. Pois toda a existência é um teste, uma provação, uma sequência de provas para evoluir e ser cada vez mais feliz, e está-me a dizer que, no nosso tempo de vida, vamos ter a maior de todas. Imagine o salto evolucional que podemos dar graças a esta oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amigo, você é doido. Como é que alguém normal pode ser feliz sabendo que vai morrer amanhã, e que consigo será enterrada toda a humanidade e todas as maravilhas que ela conseguiu em milhares de anos de evolução? É assim mesmo. Aquilo a que chama evoluir é na realidade uma regressão abrupta ao ponto zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas senhor, a evolução é dentro de nós todos, e nós todos somos muito mais do que este frágil plano a que vulgarmente chamam mundo. A matéria sofre acidentes, mas um espírito bem dirigido torna-se impenetrável - avança pelo meio das intempéries como o salmão sobe o rio. Depois de deixar este corpo serei menos ignorante e verei mais longe. E o senhor também, porque é uma pessoa boa, que procura o conhecimento e se preocupa com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez uma nova pausa. Com ar abalado vi-o remexer o saco e tirar duas embalagens. Segurou uma em cada mão, viradas para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não quer ao menos uma t-shirt?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As t-shirts eram muito bonitas e diziam "Apocalipse 2012". Assim que respondi que não tinha dinheiro o senhor desapareceu nas sombras tão rapidamente como tinha aparecido, sem descanso na sua missão de avisar os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui a última pessoa a sair da feira, tão interessado fiquei em todas as coisas. Gostava de saber mais sobre Tarot, pedrinhas da sorte, Feng Shui e outras maravilhas, mas não pedi nada a ninguém, nem mesmo um livro (que decerto me tinham oferecido de boa vontade), porque o conhecimento sem as pessoas não ilumina tanto, e assim, quando é possível, prefiro obtê-lo através do diálogo e da experiência. Guardarei na minha memória este evento para poder voltar nos próximos quatro anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-5592240764228973054?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/5592240764228973054/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=5592240764228973054' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/5592240764228973054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/5592240764228973054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2008/04/2012-entretanto-os-estudantes-de.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-4517508704597875465</id><published>2008-03-14T11:59:00.006Z</published><updated>2008-03-14T12:13:25.016Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;A Feira Esotérica&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vagueava em Monsanto quando, talvez por simpatia do destino, apressei o passo e vi-me subitamente em Oeiras, junto ao portão da "Feira Esotérica". O segurança, muito prestável, deixou-me entrar sem pagar bilhete desejando-me "boa sorte para o negócio". Negócio, entendi, com a Verdade, pois temos de dar muito de nós para obter em troca um vislumbre da Verdade. Sorri-lhe e entrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço estava cheio de pessoas, as barracas apinhadas de interesse pela espiritualidade e ninguém parecia troçar do meu dhoti. A minha felicidade era difícil de conter. Valera duplamente a pena, dizia para mim próprio, ter vagueado tanto, ter passado tanto frio, fome e humilhação. Pelo meu progresso, porque só se progride pela provação e o sacrifício, e pela minha felicidade, porque tinha chegado ao sítio onde o avanço espiritual era procurado freneticamente por todos os que lá estavam. Os Vedas não aconselham o frenesim como um bom método, bem sei, mas era preciso ver além dos Vedas. O que me interessava era o que animava e unia, no fundo, aquelas pessoas de diferentes crenças, e que era o progresso espiritual. Para se ser um bom mestre é preciso, primeiro, ser um bom aluno, e o bom aluno é o que tem capacidades, sim, mas também o ânimo para as dirigir na boa direcção! Por isso, pensei, com tanto ânimo talvez a Feira Esotérica de Oeiras fosse a semente de uma nova humanidade, com tanto amor a unir os Homens como o que une as estrelas e os planetas e tudo o resto no universo, e sorri para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu desejo era observar todas as barracas com detalhe e aprender o mais possível. A que estava logo ao pé de mim era uma que dizia "fotografe a sua aura". Excitado, cheguei ao pé do dono da barraca e disse que queria experimentar essa maravilha e compreender o que era a aura. Ele respondeu-me que eram quinze euros. "Nunca tenho dinheiro", retorqui. Ele deve ter sentido muita pena, porque nunca mais olhou para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, a meu lado, um pouco enfastiados, dois estudantes de engenharia, objectivos e quase tão humildemente vestidos como eu, falavam sobre campos eléctricos de alta voltagem. Esfomeado de conhecimento, apresentei-me e perguntei-lhes como funcionava a maravilha que captava a aura. Responderam-me, alegres pela pergunta, que "eram apenas fotografias do tipo Kirlian, um electricista russo que inventou um método para registar a aura, a cores, com uma corrente eléctrica de alta frequência, baixa amperagem e alta voltagem, que basicamente ionizava os gases, por exemplo a humidade, em torno de um objecto", e que "era tudo uma fraude, porque no vácuo a aura aparecia tanto como o 5 no sistema binário", e ainda que "as fotografias também mostravam auras em seres inanimados, na Wikipedia até estava a fotografia da aura de uma moeda; e que, se pudessem, a encontravam facilmente e aos arco-íris na lingerie na Soraia Chaves". Ainda não sei quem é essa Soraia Chaves, mas é possível que seja uma mentora espiritual para os engenheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem da barraca, atento ao nosso diálogo, interrompeu-nos em defesa da sua ciência. Parecia indignado. Disse muitas coisas seguidas e rápidas, das quais só me lembro de poucas. Falou de electrobiografia, beogramas, florais de Bach, curas baseadas nas auras desses florais e das pessoas, e energia universal do bem, acrescentando diversas vezes a expressão "meus ignorantes da merda" ao início ou ao fim das suas frases. Os estudantes envolveram-se na discussão ainda mais animados do que antes, desenvolvendo temas como fraude, estupidez e campos de alta voltagem no interior do orifício rectal, entre algum vernáculo popular, pois todos eram pessoas simples do povo. "Como é bela a paixão destes jovens pela justiça", reflectia eu entre eles, "e como brilha a esperança daquele homem na sua ciência!". Depois fui empurrado pela multidão que se amontoava ali para ver a disputa, todos interessados em colher argumentos como as abelhas colhem o mel - argumentos como degraus da escada da Verdade, para a sua edificação pessoal e de todos os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me junto à barraca da ovnilogia. A conversa anterior fora como uma meditação, enchera-me de paz e vontade de observar. Por isso observei longamente os livros desta barraca. Os que tinham pequenos homens esqueléticos com grandes cabeças fizeram reflorescer em mim belas sensações da minha infância na Índia. E por isso pensei alto: será possível algum ser evoluído emanar algo diferente do amor universal? Tão alto que o senhor da barraca me ouviu e fez questão de me corrigir. Segundo ele, muitas histórias apontavam para uma malvadez fria e científica daquelas criaturas, que raptavam seres humanos para experimentação laboratorial, como faziam os japoneses e os nazis na Segunda Guerra. Notei que quanto mais falava mais assustado ele ia ficando, pois acreditava em tudo o que dizia. Aprendi muito sobre extraterrestres, sobre como construiram a Atlântida, Stonehenge, as cabeças da Ilha da Páscoa e as pirâmides egípcias e maias; aprendi (num discurso apenas sussurrado, para ninguém desconfiar) sobre como estavam infiltrados na nossa sociedade, encobrindo a sua aparência de esqueletos cabeçudos e lagartos gigantes com pele humana; e aprendi sobre as tentativas de governos poderosos para encobrir estas revelações, e sobre o plano de dominarem finalmente o planeta em 2012. Tudo isto em apenas meia hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado o seu discurso, o simpático senhor suava e olhava em volta desconfiado.&lt;br /&gt;- Sabe, hoje em dia a tecnologia rouba-nos a privacidade... O avanço tecnológico, de onde pensa que vem? É mais um truque deles para nos vigiar e controlar. Enquanto milhões se sentam em frente às televisões e aos computadores, perdendo capacidades físicas e mentais, adormecendo numa frágil letargia, eles infiltram-se nos exércitos e nos governos - como os judeus, a Maçonaria, os comunistas! Depois de tantos raptos e estudos ficaram a saber como é que se domina um ser humano e todas as fragilidades das nossas sociedades! Aproveite agora para ler e ficar alerta, porque depois da guerra seremos todos escravizados. A África das Descobertas extender-se-á, no século XXI, ao planeta inteiro! Mais tarde, se existir literatura em Orion, a maior obra deles será uma espécie de Lusíadas de outro mundo: um grande poema épico sobre a descoberta da Terra, a sua colonização e todas as desgraças que lançaram sobre nós!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenha calma, senhor - disse-lhe - porque não há nada a temer. Nenhuma criatura do espaço pode vencer o amor universal que guardamos no peito. Nem os ingleses o conseguiram, senhor. O amor é invencível, não se pode escravizar quem ama. O amor liga-nos a todas as coisas. O homem que ama, senhor, guarda todo o universo, que é infinito. Nem o ser mais poderoso pode trancar o universo numa cela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi o senhor ficar perplexo e confuso com o meu discurso. Não percebia o que eu queria dizer, mas dava-me o benefício da dúvida, talvez por estar muito assustado e ver em mim uma possível ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me enerve! O que é que está a dizer? Imagine que tem diante de si um exército de extraterrestres fortemente armado, e você, e os seus amigos, e a sua família, não têm protecção. Para piorar a situação, imagine que alguns dos seus amigos e familiares se revelam, de repente, extraterrestres disfarçados e o atacam de surpresa. O que é que faz nessa situação, diga-me? Porque é disso que estamos a falar, é esta a realidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor, já estive em situações piores, e o que faço sempre é meditar. Ao meditar transformo-me no planeta em que estamos, que está vivo e tem sentidos ampliados. Ponho, como se põe um manto, às costas o oceano azul raiado de Sol e danço como as marés. A minha vontade cresce e desacelera, torna-se como as nuvens, colossal, lenta e majestosa na direcção da brisa; o meu peito enche-se do magma que há no centro da Terra, com um calor que chegaria para amar todos os homens deste e doutros mundos em várias vidas. Nada disto é extraordinário: sou apenas eu a voltar a mim próprio, àquilo que deveras sou. E por nada ser extraordinário passo a respirar a paz dos desertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás de mim ouvi uma voz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há algum médico nesta feira? Parece que está aqui alguém a ter um ataque de paganismo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram os estudantes de engenharia outra vez. Fiquei feliz ao vê-los. Mas contarei o que aconteceu noutra altura, porque chegou a hora de cantar os mantras a Indra e Agni.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-4517508704597875465?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/4517508704597875465/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=4517508704597875465' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/4517508704597875465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/4517508704597875465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2008/03/vagueava-em-monsanto-quando-talvez-por.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-117120151715785526</id><published>2007-02-11T13:43:00.000Z</published><updated>2007-02-11T14:05:29.820Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_jYkQgMaoNIA/Rc8jHl49bvI/AAAAAAAAAAk/MIb9IPtBid8/s1600-h/ghandi_despejado2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030277922133208818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_jYkQgMaoNIA/Rc8jHl49bvI/AAAAAAAAAAk/MIb9IPtBid8/s320/ghandi_despejado2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Atentos leitores:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito não escrevo, e desta vez a razão não foi ser espancado. Para acalmar a curiosidade, devo dizer que fui despejado do meu apartamento e que agora sou um sem-abrigo, um sem-abrigo feliz que tem um portátil como única posse e pode publicar a sua história nas zonas wireless dos centros comerciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou com aquilo a que chamam “reunião de condomínio”. Nunca tinha ido a uma. Para os que desconhecem é um evento interessantíssimo: pelo menos uma vez por ano os vizinhos de um prédio decidem conviver juntos sob a desculpa de resolver problemas pequenos. No fim do ano marcou-se a de 2006, e o meu coração decidiu antes de mim: tinha de participar nesse supremo momento de convívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando apareci no hall de entrada do prédio todos repararam em mim. Vestido com o meu dhoti e empunhando o meu cajado, sei bem, escapo um pouco à norma. Sorri. Alguns sorriram de volta. Feliz, sentei-me no chão e aguardei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois atingira-se o quorum para a reunião poder começar. Alguns não tinham ainda aparecido. Tive pena desses, pois decerto estavam com algum assunto urgente e complicado entre mãos, lamentando a perda do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O administrador abriu um dossier e perguntou se, antes de começar a ordem de trabalhos, alguém tinha alguma coisa a dizer. Pedi logo a palavra, pois um grande entusiasmo enchia o meu peito, e sendo-me oferecida essa honra comecei eu a reunião, desta maneira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meus vizinhos, embaixadores da amizade humana, exemplos admiráveis de fraternidade, amo-vos a todos. Desde o princípio do mundo que as coisas se unem e desunem: assim se formaram as estrelas e os planetas, os homens e as plantas. À força de união chamamos Amor. Cada vez que ela se manifesta a compaixão, a harmonia e a felicidade fluem nas nossas veias, e devemos celebrar. Por isso proponho um farto jejum de três dias, um pela compaixão, outro pela harmonia e outro pela felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um silêncio, dedicado por cada um à introspecção, a vizinha do segundo esquerdo dirigiu-se a mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, mas quem é o senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O meu nome é Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi e moro no terceiro direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fui notificado pelo sr. Jaime Pacheco que a respectiva fracção havia sido alienada! – protestou o administrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem me parecia! – disse o meu vizinho da frente – Por isso é que o meu piso continua às escuras! O sr. Pacheco costumava trocar a lâmpada, dada a HABITUAL INCOMPETÊNCIA desta administração no que diz respeito a zonas comuns, e agora não há quem o faça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O sr. não me chama incompetente! – gritou o administrador percebendo a indirecta – se você lesse o regulamento saberia que é preciso requisitar à administração, POR ESCRITO, qualquer manutenção extraordinária às zonas comuns do prédio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com todo o respeito, o sr. é um ignorante e um prepotente! Tenho comigo a lei do condomínio, quer ver? Os seus regulamentos não servem para nada, é a lei que conta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amigo, não preciso de ver os seus papéis. Sou magistrado, por isso sei bem melhor do que você o que é que está na lei. Tenha respeito e aguarde a sua vez de falar. Já agora, se me permitem, aproveito esta ocasião para recusar, ã, recusar completamente uma nova administração! Resolvam como quiserem, mas vou passar isto HOJE, porque estou farto de cenas como a deste senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho um problema na vista! Nesta vista! – disse o mesmo, ignorando se era a sua vez ou não de falar - No outro dia o elevador estava avariado e tive de subir a escada às escuras! EU TENHO UM PROBLEMA NA VISTA! E apesar dos meus pedidos esta administração não fez nada! O sr. pensa que ser magistrado lhe dá o direito de ser incompetente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Primeiro, o sr. fez esses pedidos a ESMURRAR-ME A PORTA às ONZE DA NOITE! Segundo, para além de ver e ler mal, também não deve ter grande ouvido, porque acabei de lhe dizer que precisava de apresentar o caso POR ESCRITO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou falar com o meu advogado! Isto não fica assim! Esta administração é TOTALMENTE INCOMPETENTE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá e não volte! Já agora, antes de se começar a ordem de trabalhos, devo-lhe perguntar: foi você o anormal sem educação que andou a espalhar bilhetes pelas caixas-de-correio a reclamar do orçamento do ano passado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma senhora deu um passo à frente. Acho que era de um rés-do-chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fui eu! E anormal é o senhor, que é uma besta e um incompetente! O orçamento é uma vergonha, um lixo! Até um mongolóide fazia uma coisa mais profissional! As tabelas desalinhadas, as letras mal se vêem, feitas à mão! Não sabe que já se inventou o computador?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha senhora, se faz melhor faz favor fica com a PORCARIA DA ADMINISTRAÇÃO, porque eu recuso-me a aturar mais imbecis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito bem! – avançou de repente o vizinho do lado – Porque essa senhora além de imbecil é barulhenta! Deve pensar que se ouvir a missa acima dos 100 decibéis chega mais depressa ao céu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imbecil é você, e porco, que fuma no elevador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah sim? Então prove! Não consegue pois não? ENTÃO META AS ACUSAÇÕES NO MEIO DA SANTA P...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- MEUS SENHORES! – cortou o do primeiro esquerdo – Eu preciso de me deitar cedo e suponho que também tenham mais que fazer do que prolongar isto, por isso sugiro que se passe à ordem de trabalhos, e depois se alguém tiver mais alguma coisa para discutir que o faça em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos pareceram concordar e os olhares centraram-se no administrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito bem, passemos à ordem de trabalhos. Mas antes, só para fechar o primeiro assunto, penso que todos gostaríamos de saber quando é que o sr. Ghandi comprou a fracção ao sr. Pacheco, porque é necessário pôr em dia os inúmeros, e friso a palavra INÚMEROS, pagamentos de condomínio em atraso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora os olhares centravam-se em mim. Eu estava numa posição de lotus e sorri pacificamente, como sempre faço quando tenho a honra de uma atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim senhor, eu explico com todo o agrado. Não comprei a casa ao sr. Pacheco porque eu sou o sr. Pacheco. Quero dizer, eu era, até um dia me metamorfosear em Ghandi por uma maldição que me lançaram. Em verdade julgo-a como uma benção, porque agora vejo a luz em toda a sua pureza, tanto a das estrelas como a do coração dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, mas em que regulamento é que se inserem mudanças de identidade? Conhece algum? O senhor está não só a desrespeitar a lei como não avisou POR ESCRITO a administração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe lá intrometer-me – interrompeu o do primeiro direito – mas Ghandi não é um revolucionário? Só lhe digo isto: eu recuso-me a viver num prédio pejado de reuniões terroristas, armas escondidas na arrecadação e portanto um potencial alvo de fiscalizações! Eu, como toda a gente, fiz uma escritura por um valor abaixo ao da venda! Não quero que me venham, por sua causa, exigir diferenças de IMT! E olhe que sei do que falo, porque trabalho na administração fiscal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Apoiado! – concordaram todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas senhores, o que eu defendo é uma revolução pacífica, sem armas ou terroristas, e é para a Índia. Creiam que essa revolução até já foi realizada: a Índia é um país independente há 60 anos, para grande felicidade do seu povo. O que eu agora pretendo é uma revolução do espírito, universal. Desejo que todos os homens se amem e construam um mundo livre de guerras e tristezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olhe lá, isso até pode ser nobre, mas não é um mundo livre de guerras e tristezas que me vai pagar o IMT se este prédio for fiscalizado, ou é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a multa por eu ter alterado a fachada sem autorização da câmara? Será que o sr. Ghandi a paga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se descobrem os descodificadores falsos da televisão por cabo que montámos no quarto andar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente conversava ao mesmo tempo, uns mais irritados que preocupados, outros o contrário, levados pela histeria colectiva. Sei que era a forma deles confraternizarem e sentia-me feliz. No fundo estavam todos unidos. Unidos contra mim. A certa altura ouviu-se um berro mais alto do que os outros: era outra vez o administrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Proponho a esta assembleia acrescentar um ponto aos regulamentos ditando a proibição de condóminos revolucionários em nome do bem comum. Sob quaisquer formas e feitios ideológicos e religiosos, para que ninguém se sinta alvo de discriminação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se uma votação. Votei com toda a satisfação, sendo o único a levantar o braço contra o ponto em questão. Depois disso verificou-se que já era muito tarde para iniciar a agenda de trabalhos e todos dispersaram, ficando por convocar nova reunião na semana seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi resistir pacificamente, de acordo com a minha filosofia, mas o processo acelerou depressa porque eu não pagava as prestações do empréstimo há sete meses. Assim fui despejado, juntamente com o meu património, que insisti ser apenas um cajado, uma fralda, um dhoti, os Vedas, os meus óculos, uma colecção de detritos de pombo reservada para o estudo da bostomância, algumas folhas de alface e um portátil. Os senhores foram muito humanos e deixaram-me ficar com tudo isto depois de me atirarem pela porta fora. Nas janelas os vizinhos sorriam aliviados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que apanhei as minhas coisas sorri para eles também e agradeci, pois tinha a honra de ser a causa dessa alegria e união. Tive sorte. A partir de então tenho deambulado mais e conhecido mais coisas. Conquistei mais histórias nobres e calorosas visões desse paraíso oculto que mora no coração dos homens.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-117120151715785526?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/117120151715785526/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=117120151715785526' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/117120151715785526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/117120151715785526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2007/02/atentos-leitores-h-muito-no-escrevo-e.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_jYkQgMaoNIA/Rc8jHl49bvI/AAAAAAAAAAk/MIb9IPtBid8/s72-c/ghandi_despejado2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115805856353552404</id><published>2006-09-12T11:53:00.000+01:00</published><updated>2006-09-12T11:56:03.550+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Depois de uma semana de internamento não consegui saber que males tinha o meu corpo, mas consegui recuperar parcialmente e sair. Ouvi dizer que tinham falta de camas e por isso me dispensavam mais cedo. Fiquei contente por ceder a minha cama a alguém mais desfavorecido do que eu. Apenas me deram uma ordem: que me apresentasse no centro de saúde da minha zona para tirar os pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que descobri a ciência de "tirar os pontos", uma ciência tão aperfeiçoada neste país que é fechada atrás de inúmeras portas e de um enorme labirinto, como um tesouro real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei por achar o centro de saúde perguntando a várias pessoas onde era. Entrei, era um sítio simpático, sem ninguém àquela hora, um bom espaço para meditação. Dirigi-me ao senhor da recepção.&lt;br /&gt;- Boa tarde, senhor! Venho tirar os pontos seguindo as instruções do bom hospital de São José.&lt;br /&gt;- Tem senha? - disse ele sem levantar os olhos.&lt;br /&gt;- Não tenho senhor.&lt;br /&gt;- Sem senha não o posso atender.&lt;br /&gt;Descobri onde se tiravam as senhas, e tirei o 97. O mostrador indicava que tinha de esperar 6 números, mas não estava ninguém na sala. Provavelmente as pessoas já tinham desistido, pensei. Por 3, 4 ou 5 números, as pessoas desistiam. Seria assim tão fraca a paciência? Não podia ser, as pessoas deviam ter tido alguma coisa urgente para fazer, ou um miúdo, na brincadeira, atirara uma série de senhas para o lixo. A juventude, ah, saúde de não saber nada... Sorri e esperei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinze minutos depois ainda esperava e ninguém aparecia. Incluindo na recepção. O senhor tinha ido tomar um café. Fiz meditação. Cinco minutos depois fui interrompido pelo grunhido estridente de um elefante indiano em fúria. Olhei, assustado, em redor, à procura da manada, mas descobri que a fonte era apenas uma coluna de som em mau estado que servia possivelmente para acordar os mais sonolentos na sala de espera. Os números avançaram uma unidade, para o 92. Era suspeito. Na recepção o senhor já lá estava outra vez, olhando-me fixamente, mas mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números avançaram rápido - 93, 94... até ao 97. Sorri e levantei-me. Era finalmente a minha vez. Mas os números não paravam - 98, 99... Cheguei ao "guichet" e reparei que o senhor estava agressivo.&lt;br /&gt;- Não me ouviu a chamá-lo?&lt;br /&gt;- Não, senhor - sorri-lhe, associando de repente o som estridente que ouvira ao seu real significado - pensei que fosse um elefante indiano em fúria.&lt;br /&gt;- Está a gozar comigo? Eu já o chamei! Tem a senha?&lt;br /&gt;- Tenho sim, senhor. - E dei-lhe a senha 97.&lt;br /&gt;- 97? Está a gozar comigo! Isto já vai na 100! Como é que quer que o atenda se não tiver a 100?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui outra vez à máquina das senhas, tirei a 100 e entreguei-lha.&lt;br /&gt;- O que é que quer?&lt;br /&gt;- Venho tirar os pontos seguindo as instruções do bom hospital de São José.&lt;br /&gt;- Qual é o seu médico de família?&lt;br /&gt;- Não tenho.&lt;br /&gt;- Não tem? Então não posso fazer nada. Tem de ter médico de família.&lt;br /&gt;- Está bem senhor. Obtenha-me um médico de família, por favor.&lt;br /&gt;- Cartão do utente?&lt;br /&gt;- Não tenho.&lt;br /&gt;- Não tem cartão do utente? - a voz do homem denotava uma irritação crescente. - Tem que pedir um!&lt;br /&gt;- Onde?&lt;br /&gt;- No guichet E.&lt;br /&gt;- Mas não está lá ninguém, senhor.&lt;br /&gt;- Guichet E. Tire a senha que diz "guichet E" - manteve, e não olhou mais para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui tirar a senha. Desta vez era o número a seguir. O centro estava vazio. Só tive de esperar mais 10 minutos até à minha vez. No guichet E estava o mesmo homem que me atendera. Ele estava em todos os guichets, zelando sozinho pela ordem da recepção.&lt;br /&gt;- Tem a senha?&lt;br /&gt;- Está aqui, senhor.&lt;br /&gt;- O que é que quer?&lt;br /&gt;- Almejo obter um cartão de utente, de forma a ser beneficiado com um médico de família que me possa tirar os pontos seguindo as instruções do bom hospital de São José.&lt;br /&gt;- Bilhete de identidade.&lt;br /&gt;Ainda tinha comigo o bilhete da minha antiga identidade, e achando que servia dei-lho.&lt;br /&gt;- Muito bem, sr. Jaime Pacheco. Ainda não possuirmos as tecnologias avançadas dos clubes de vídeo, que permitem fazer cartões em minutos, mas também não estamos mal. O seu cartão do utente estará pronto daqui a um ano.&lt;br /&gt;- Senhor, só poderei tirar os pontos daqui a um ano?&lt;br /&gt;- Não me interrompa que eu também não o interrompi. Entretanto tem aqui esta guia de substituição que pode apresentar em vez do cartão. Atribui-lhe o dr. M como médico de família, mas em carácter provisório, porque nem sempre ele aceita pacientes. Vai ter que falar com ele e pedir-lhe para ser o seu médico, só então lhe poderei validar a guia e marcar uma consulta. Boa tarde, próximo.&lt;br /&gt;- Boa tarde senhor, muito obrigado! Onde poderei falar com o dr. M?&lt;br /&gt;As minhas perguntas, notei, começavam a ser inconvenientes. O homem parecia estar a fazer um último esforço para não me esmurrar.&lt;br /&gt;- Entre na última porta deste corredor e espere à porta do consultório. Próximo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigi-me à porta assinalada com uma placa a dizer "Dr. M", e esperei três horas. Findo esse tempo, um segurança veio avisar-me que o centro estava a fechar, e que tinha de sair.&lt;br /&gt;- Mas tenho de falar com o dr. M, senhor, para que seja validada a guia que me permitirá marcar uma consulta para o meu médico de família, que me tirará os pontos seguindo as instruções do bom hospital de São José.&lt;br /&gt;- O dr. M está de férias. - disse-me ele com maus modos e o dobro da minha altura - Agora ponha-se daqui para fora.&lt;br /&gt;Tive de ir. Mas tinha conseguido alguma coisa. Tinha-me aproximado de uma solução e sentia-me feliz por pertencer a um sistema tão organizado, que tanta atenção dispensa à saúde, criando novelos de regras para que tudo funcione sem excepções. Voltei ao centro nos dias que se seguiram, esperando várias horas pelo dr. M. Num dia ele estava em greve, noutro em reunião, noutro de baixa, e depois entrou em férias outra vez. Para a recepção, mesmo para os computadores do centro, a vida do dr. M era incógnita e por isso, em nome da discrição, mandavam-me sempre esperar à porta, o que eu fiz durante duas semanas com alegria e determinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia consegui. Uma médica nova, a dra. I, que partilhava o consultório com o dr. M tropeçou em mim e tanto se apiedou com a minha situação que aceitou, pelo dr., a minha inscrição. A minha guia de substituição foi finalmente validada e pude marcar uma consulta para o mais cedo possível, que era dali a dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois meses depois fui à minha consulta. Dirigi-me à recepção e deram-me uma folha, sem contudo me dizerem que era preciso colocá-la numa caixinha de madeira à porta do consultório. Segundo descobri mais tarde, toda a comunicação entre a recepção do centro e os médicos é feita pelos próprios pacientes, e não por computadores, por uma questão de humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei poucas horas com o papel na mão até que por sorte o médico saiu para beber um café e reparou em mim. Perguntou se eu não era o "Jaime Pacheco" que tinha consulta marcada. Disse-lhe com um sorriso que sim, era eu mesmo, ainda que tivesse outro nome, e mostrei-lhe o papel.&lt;br /&gt;- Então não sabe que isso se põe ali à porta do consultório? Toda a gente sabe isso. Ena, grande infecção tem aí... Não cuide disso não! Bom, tenho um compromisso agora há hora do almoço, se quiser pode passar cá à tarde que faço um jeitinho e atendo-o...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde, e por grande favor, de que ainda estou reconhecido, pude finalmente ter a consulta com o dr. M.&lt;br /&gt;- Então diga lá - disse ele, muito simpático.&lt;br /&gt;- Tenho aqui estes pontos para tirar.&lt;br /&gt;- Esses pontos... deixe lá ver. Esses pontos já estão infectados, podres seria o termo técnico. É capaz de doer. Não sabe que não se pode esperar meses por uma coisa dessas?&lt;br /&gt;Sorri. Ia começar a falar quando ele me interrompeu:&lt;br /&gt;- Infelizmente não os posso tirar. Esse trabalho é feito pelas enfermeiras. Dirija-se à enfermaria. Hoje já fechou e amanhã há greve outra vez, tente depois do fim-de-semana. Próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareceu-me excelente. Mais quatro dias e o meu problema estaria resolvido. Dei uns passos na direcção da saída e perdi os sentidos. Quando acordei estava num sítio familiar: o bom hospital de São José. Estando a enfermaria fechada, e os médicos interditados de tirar pontos, tinham-me levado de ambulância para o hospital outra vez. Sinto-me muito melhor. Já não tenho os pontos, apenas a infecção, mas ouvi dizer no corredor que tenho boas hipóteses de sobreviver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115805856353552404?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115805856353552404/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115805856353552404' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115805856353552404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115805856353552404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/09/depois-de-uma-semana-de-internamento.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115641775258458580</id><published>2006-08-24T11:52:00.000+01:00</published><updated>2006-08-24T12:18:22.976+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Escrevo este texto a partir de um convento do século XVI, outrora chamado de Santo Antão e habitado pela Companhia de Jesus, com excelente vista para o rio. Ou seja, escrevo-vos do hospital de S. José, onde estou internado há quatro dias e muito feliz. Um bom homem na cama vizinha, que está de momento a lutar com a morte premindo em desespero o botão que chama as enfermeiras, desde há meia hora, emprestou-me um pocket pc que me permite publicar a minha nova aventura, que começa assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esse nacionalismo inquinado de fé católica, esse patriotismo viciado de uma religião estranha!", ecoava no domingo um vizinho na escada do prédio, citando Fernando Pessoa, que foi um grande poeta e homem de vasta inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A religião é das coisas mais fundamentais para um povo, mesmo uma que ignore os Vedas, porque é um bastião de defesa para altos valores que de outra forma não sobreviveriam às modas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi por isso investigar. Vesti a minha fralda de cerimónia, o meu dhoti mais branquinho e dirigi-me à igreja mais próxima. "É verdade", pensava eu na minha sucessão de passos, "que Fernando Pessoa morreu em 1935, mas também é verdade que ouço toda a gente dizer que está sempre tudo na mesma, logo Portugal deve ser uma espécie de máquina do tempo e para viajar no princípio do século XX ou no final do século XIX basta sair de casa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aposto comigo próprio um cubo de tofu em como Fernando Pessoa estava errado. Ele dizia que a verdadeira religião portuguesa era o sebastianismo, e não o catolicismo que a maioria dos populares idolatra. Pois eu aposto que toda a gente naquela igreja conhece melhor a Bíblia do que eu o Bhagavad-Gita, e melhor o seu país do que eu a Índia. Nacionalismo inquinado e estranho é o desse Pessoa e dos intelectuais da sua geração, que para serem diferentes do vulgo inventaram nacionalismos e religiões de escol, cada um com a sua versão. Qualquer país é o coração do povo, e não depósitos marginais e isolados de correntes elitistas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes pensamentos eu nadava quando cheguei ao templo católico. Ainda não era hora da missa, por isso decidi sentar-me nos degraus e esperar, sempre a sorrir apesar do sol abrasador que me queimava a face. Uma senhora mais velha que eu, acompanhada de um grupo de beatas, aproximou-se de mim e ofereceu-me uma esmola:&lt;br /&gt;- Coitadinho! - disse ela às amigas - Tão magrinho! Toma e vai comer qualquer coisinha à pastelaria, vai!&lt;br /&gt;Sorri-lhe. O espírito católico brilhava mais e emanava mais calor do que o sol na minha face. Era por aquilo que eu amava todas as religiões do mundo.&lt;br /&gt;- Obrigado minha senhora. - disse eu tentando esboçar a melhor expressão que podia ter com os olhos a arder - Obrigado por perpetuar a Verdade no coração dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esperava a reacção que se seguiu. Ela deu-me discretamente um pontapé numa coxa e segredou-me para me ir embora imediatamente, porque a missa estava quase a começar e parecia mal estar ali a sujar as escadas da igreja. Reparei que na direcção que apontava o seu dedo hirto e determinado estava, talvez a 200 metros, um molho de mendigos andrajosos e doentes.&lt;br /&gt;- Xô, desaparece! O que é que o senhor padre vai dizer? Vai comprar a merenda e sai daqui, está dito! - insistiu ela batendo o pé, como se expulsasse um cão, enquanto eu pensava no que fazer. Decidi contar-lhe gentilmente a verdade, que mais depressa chega a uma alma caridosa:&lt;br /&gt;- Minha boa senhora, compreendo o seu zelo pela perfeita execução da sagrada liturgia desta igreja, mas estou aqui para participar. Na verdade pretendo assistir ao ritual para constatar a firme união entre este povo, a sua religião e o seu país, e para negar categoricamente e por esse meio as afirmações proferidas outrora pelos modernistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha acabado a última frase quando senti uma forte paulada nas costas. Tentei levantar-me, mas outra paulada fez-me cair pelas escadas abaixo. Quase não tive tempo para sorrir. Lá em baixo, mal achei os óculos deparei-me com um homem largo de colarinho, carregando um cajado numa mão e um porta-chaves BMW na outra. Era o padre.&lt;br /&gt;- Seus malandros! Não vos avisei já que não quero que me sujem a entrada da igreja? É por isso que vem cada vez menos gente! Que raio de linguagem é que zurrais? Pela milésima vez, a esmola é nas traseiras, está percebido? Eu perguntei se está percebido! - disse ele com tais gritos que me deixaram um zumbido no ouvido direito.&lt;br /&gt;- Eu tentei ir a bem, sr. padre, mas não consegui! - disse a beata aproximando-se - Esta criatura fingiu que não me ouviu! Em vez de largar veio para aqui com disparates!&lt;br /&gt;- Deixe estar, Dona Mariana Bernarda, obrigado, mas eu trato do assunto à minha maneira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto levava pauladas aproveitei para observar a paisagem. As nuvens passavam altas, enormes e distantes como a Verdade. Alguns pombos voavam, outros jaziam espetados em pregos ferrugentos estrategicamente colocados no cimo da igreja. Já não conseguia avistar os homens andrajosos e doentes, tinham todos fugido. Algumas beatas olhavam para o relógio e agitavam-se, impacientes. Quando não olhavam para o relógio fitavam-me cheias de ódio, como se fosse eu a razão de um atraso fundamental nas suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de eu já não me mexer o padre continuava a bater-me. "Não admira", pensei, "que o ícone máximo desta organização seja justamente um homem crucificado". Esse pensamento descansou-me. Tudo aquilo era provavelmente um ritual de iniciação que desconhecia, talvez para fazer de mim uma pessoa melhor, quem sabe um mártir, ou mesmo um salvador, através do espancamento. Sorri de felicidade e pratiquei meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, quando o padre terminou a sua função, desmaiei. A última coisa que vi foram as beatas a correr atrás do padre lançando-lhe palavras laudatórias, cada uma competindo para entrar primeiro que as outras na porta do templo católico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei aqui, onde tenho sido muito bem tratado. Perguntei qual era a extensão do meu martírio, mas ninguém me respondeu ainda. Parece, segundo sussurrou uma enfermeira, que neste sítio as informações são mais valiosas do que ouro, e que por isso tenho primeiro que esperar no meio do corredor até que passe o médico. Assim que ele vier deverei então esboçar uma expressão desgraçada para que ele, por piedade, me mostre o resultado de alguns exames e me relate mais ou menos o diagnóstico, num tempo máximo de dois minutos. É o que toda a gente faz. Segundo percebi, é assim em toda a parte e desde há muito tempo, ou seja, é um costume. E os costumes definem a cultura de um povo, são a sua identidade, todos os respeitam e se esforçam por preservá-los. Por isso, apesar de ainda não ter conseguido chegar a uma conclusão sobre a opinião dos modernistas, estou muito feliz por me encontrar no meio de um povo com tanta identidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115641775258458580?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115641775258458580/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115641775258458580' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115641775258458580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115641775258458580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/08/escrevo-este-texto-partir-de-um.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115502971205246058</id><published>2006-08-08T10:30:00.000+01:00</published><updated>2006-08-11T16:23:38.166+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;"Primeiro eles ignoram-te, depois riem de ti, depois lutam contigo e por fim tu vences."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui eu que disse esta verdade, mas o último passo está longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje voltei ao Rossio. O meu pensamento era claro e positivo. Cair é fácil, qualquer homem consegue cair. Mas erguer - isso exige a virtude dos melhores. Iria conquistar aliados e empreender uma revolução, nem que para isso tivesse de cair mil vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deparei-me desta vez com um homem que tinha tantas posses como eu, ou seja, quase nenhumas. Talvez até tivesse menos, porque eu tenho este computador, esta casa hipotecada e o meu dhoti. Era novo, estava no máximo na casa dos sessenta, cheirava pior que o comboio para Bombaim, não tinha pernas e pedia esmola a quem passava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessei-me à sua frente, empurrei o cartão com as esmolas para o lado e apresentei-me:&lt;br /&gt;- Bom dia, meu bom homem. O meu nome é Ghandi, Jaime Ghandi, e sei o que tu buscas.&lt;br /&gt;Os seus olhos fixaram-me, confusos, mas pouco depois a sua mão estendeu-se na minha direcção com a palma virada para cima.&lt;br /&gt;- Ajude o pobrezinho doente e com fome! Ajude o pobrezinho doente e com fome! Nem que seja a moeda mais pequena feliz natal! Nem que seja a moeda mais pequena feliz natal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali estava, reflecti para as minhas nódoas, um homem humilde e lutador, um homem com coração. O futuro do país. Pois que é um país senão o coração do seu povo? É verdade, estávamos no verão, longe do natal, mas o natal é uma farsa. O verdadeiro natal era o que aquele homem desejava, apenas a essência do homem, sem bens ou males supérfluos, um amor tão grande que transbordava como as fontes do Rossio, suficiente para inundar toda a nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que tinha para dar, além da minha luz e da minha benção, eram algumas folhas de alface do jantar de ontem, muito saborosas. Depois de alguma busca encontrei-as intactas, mas quando tirava a mão das cuecas (eu guardo sempre a refeição nas cuecas, quando saio por muitas horas, porque o dhoti não tem bolsos), uma senhora chegou-se ao mendigo e esmolou-lhe cinquenta cêntimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não gostou e arremessou um olhar furioso para a mulher.&lt;br /&gt;- Não tem um ou dois euros? É só um ou dois euros, feliz natal. Ajude o pobrezinho doente e com fome.&lt;br /&gt;Ela sorriu. Queria mesmo ajudá-lo.&lt;br /&gt;- Se quiser vou ali à pastelaria e trago-lhe uma sandes e um galão, quer?&lt;br /&gt;O mendigo começou a balançar no chão, ainda mais furioso.&lt;br /&gt;- Não obrigado! Dois ou três euros, feliz natal! Não me diga que não tem três ou quatro euros? É natal! Faz diferença uma nota de cinco para o pobrezinho?&lt;br /&gt;A mulher reflectiu alguns segundos. Não queria sair derrotada e fez-lhe uma oferta final.&lt;br /&gt;- Pago-lhe uma refeição num restaurante à sua escolha, com bebida, sopa, sobremesa, tudo o que quiser.&lt;br /&gt;- Mas que diferença lhe faz oito euros? - disse ele levantando a voz - Ajude o pobrezinho doente e com fome, sua cabra! - ordenou aos berros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação ficou num impasse. Eu estava junto deles e podia fazer alguma coisa, mas depois do estalo que levei no outro dia não achei prudente ofertar a minha alface e voltei a pô-la onde estava. A mulher olhou para mim, esboçou um sorriso piedoso e deu-me os cinquenta cêntimos. Agradeci e guardei a moeda junto da alface, não por valer dinheiro, mas por valer compaixão. Estou em casa, agora, a olhar para ela. Algo brilha numa das faces: é o brilho da esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, peço desculpa. É outra coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115502971205246058?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115502971205246058/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115502971205246058' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115502971205246058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115502971205246058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/08/primeiro-eles-ignoram-te-depois-riem.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115495409759889045</id><published>2006-08-07T13:28:00.000+01:00</published><updated>2006-08-11T16:27:42.520+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quanto mais ando pelas ruas, mais me convenço que é necessária uma revolução pacífica. As pessoas vivem tão tristes e zangadas que parece que não vivem. Ao princípio, pensei que se atropelassem por haver uma corrida ao ouro, tão grande era a azáfama e tão carregados eram os semblantes. Ou então que o governo as obrigasse a correr e a competir como animais de sol a sol, como escravos. Mas não há ouro nem escravatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas correm e competem porque outras pessoas antes delas também corriam, e outras antes dessas, e outras ainda antes. Correm e competem, não por ambição ou obrigação, mas por imitação. Porque não sabem fazer outra coisa. Porque as suas mentes não são preparadas para fazer juízos, apenas para copiar juízos previamente elaborados por outros. É a era do "pré-cozinhado". Não fazem ideia do que conseguiriam se fossem meus discípulos. Em vez de usarem 10% do cérebro para a corrida sem meta e a competição violenta, aprenderiam a usar 90% para a plenitude imóvel e o auto-sacrifício pacífico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isso que pretendo fazer. Desloquei-me ontem ao Rossio com esse intuito a semear todo o pomar da minha mente. Dirigi-me à entrada do Metro, um dos pontos mais nervosos da cidade. As pessoas corriam e atropelavam-se em modos tão selvagens que faziam os macacos da Índia parecerem educados membros da realeza. Decididamente tinha muito que labutar, e achei que a melhor estratégia seria primeiro reunir aliados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor hipótese era, de longe, um aparente conterrâneo que se vestia mais ou menos como eu e queimava muitas espécies de incenso nas escadas da estação. Muitas pessoas afastavam-se por causa do cheiro, e com razão: a selecção de incensos era pouco profissional. Enquanto uma mistura correcta pode elevar a alma ao mundo astral, uma errada pode fechá-la num contentor de peixe podre, ovos estragados e bufas de couve. Disse-lhe isso exactamente nestes termos, para lhe despertar o instinto universal da entreajuda. Respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É vinte euros o conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri. Não queria desistir depressa. Talvez a acção vencesse as palavras, pensei, e mostrei-lhe como se fazia: apagando o incenso de couve e o de cebola, acendendo o de caril e o de pimento, compus um "bouquet" perfeito que já não repelia as pessoas. Ele olhava para mim espantado enquanto eu trabalhava, aparentemente indeciso entre seguir o meu exemplo ou implorar-me para lhe ceder toda a minha sabedoria. Em vez disso levantou-se e deu-me um estalo nos óculos. Dado o meu frágil corpo, foi como se um tornado me levantasse do chão: desequilibrei-me e rebolei vários degraus, sem deixar de sorrir, até embater em dois ou três transeuntes. Agradeci-lhes e eles insultaram a minha mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115495409759889045?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115495409759889045/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115495409759889045' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115495409759889045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115495409759889045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/08/quanto-mais-ando-pelas-ruas-mais-me.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115444878470768914</id><published>2006-08-01T17:12:00.000+01:00</published><updated>2006-08-02T10:33:50.893+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A minha demanda por um discípulo começou infrutífera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei, sentando no vão do Cine Paraíso, um adolescente sorridente atrás de um enorme acordeão. Parecia muito enérgico mas abandonado - bom para asceta, como eu. Podia ser, porque não, pensei, o meu primeiro discípulo, ajudante na escrita da Verdade, aprendiz dedicado dos Vedas, alguém que até soubesse fazer uma boa cama de pregos. Para mim tal arte é inacessível, pois não posso pegar em armas e tanto martelos como pregos podem ser letais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclinei-me cheio de bondade e perguntei-lhe o nome. A resposta revelou um rapaz pouco educado - um vaso vazio para eu encher, um bom sinal.&lt;br /&gt;- Saúl, ó monhé! - gritou ele - Não me conheces?&lt;br /&gt;- Não, meu bom rapaz. És conhecido?&lt;br /&gt;- Ai! Vê lá se queres um borrifo destes! - e estendeu o dedo do meio na minha direcção, rindo à gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha assistido a tanta rebeldia nem nas memórias recém-adquiridas sobre a independência indiana. Precisaria de muito tempo para domar um adolescente assim. Como não ganhava de forma nenhuma a sua simpatia, resolvi fazer-lhe uma proposta concreta e aliciante:&lt;br /&gt;- Rapaz, o meu nome é Ghandi. Sou um grande líder espiritual, e posso transformar-te facilmente num líder ainda maior do que eu em trinta ou quarenta anos. Tudo o que tens a fazer é vir comigo e viver despojado de todos os bens, estudar e ler alto os Vedas oito horas por dia, rever as minhas obras, ter por princípio a verdade e o vegetarianismo, fabricar e manter duas camas de pregos, fazer voto de celibato e uns jejuns de vez em quando para purificar o corpo e o espírito. Que dizes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notei que o rapaz continuava a olhar para mim com o mesmo ar trocista, mas que estava a pensar. Coçava uma narina com o mesmo dedo que me estendera antes. Quando terminou apanhou um maço de cigarros caído num degrau, escreveu-lhe qualquer coisa, suspirou e deu-mo, revelando a existência de comunicação. Fiquei animado, até esperançoso. As minhas lentes brilharam de alegria só de imaginar um discípulo a sério. A minha mensagem fundamental para a humanidade teria continuação. O meu exemplo seria transmitido por várias gerações para bem da paz e da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que reparei no que estava escrito. Tenho aqui o maço, ainda, como recordação : &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;«Com um bafo desses não há cá Ghandi para ninguém! Um bafo desses quer alho! Se tivesse um chavo mandava-te jogar com as bolas do bilhar; como não tenho, toma um autógrafo destes e vai jogar com as tuas! Pequeno Saúl»&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo o mais optimista dos homens tem de reconhecer a derrota, se for sensato. Fui-me embora, não suficientemente depressa para deixar de o ouvir lamentar, para o seu acordeão, "há cada filósofo desses...". Pobre anacoreta sem educação nem vontade de a ter, pobre viciado no trocadilho incivil, aquele rapaz. Que desperdício de aptidão! E pobre de mim, que continuo a dormir sobre trapos, desconfortável e desconforme aos meus princípios.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115444878470768914?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115444878470768914/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115444878470768914' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115444878470768914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115444878470768914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/08/minha-demanda-por-um-discpulo-comeou.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115436117426098531</id><published>2006-07-31T16:43:00.000+01:00</published><updated>2006-08-01T09:33:08.630+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Green%20Ghandi.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/320/Camoes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Unindo o meu talento para manipulação de energias ao profundo vazio mental do nirvana, sinto-me ilimitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus progressos são notáveis, tão completos que já comecei a escrever alguns livros. Terei de adoptar rapidamente um discípulo para que possa fazer a revisão do texto e uma ou outra emenda, dado que, como já aqui escrevi (julgo eu), o meu caminho espiritual não me permite ler livros - nem mesmo os que eu próprio escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes leio algumas palavras sem querer e tenho de me purificar a seguir, mortificando-me com mais algumas horas de fome. Mas o assunto desta missiva é superior a estes detalhes da minha nova existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atentai bem na foto que apresento. O que é que mais se destaca? As nuvens e eu, é certo, e uma árvore lá ao fundo, mas atentai melhor, de mais perto. O que é realmente importante nesta imagem? Também eu tive de circular um pouco pelo Largo Camões para achar o mais elevado tesouro da cidade. São precisamente os pombos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde tempos imemoriais os mais esclarecidos dos homens usam as aves para adivinhação. Homero, por exemplo, 27 séculos antes de mim descreveu como os gregos as usavam: observando o seu vôo, se era à direita ou à esquerda de um exército, decidiam se a sorte era ou não favorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homero, descobri no Largo Camões, estava errado. Um turista inglês tirou-me esta foto nesse preciso momento e por delicadeza enviou-ma depois, por email, devidamente assinada. Tinha um nome invulgar, "Fucking Communist!". Se o Sr. Communist! visitar este blog, aqui lhe deixo os meus mais sinceros agradecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora bem, o que descobri foi muito simples: não é o vôo das aves a mensagem, e sim os excrementos. Atentando na forma, na textura, na cor e no sabor de uma poia de pombo pode-se com algum esforço ler o futuro. Os pombos são, qual Hermes, mensageiros alados, e as suas bostas mensagens do céu. Estão espalhadas por toda a parte, como se alguém rasgasse uma enciclopédia universal do futuro e atirasse os bocadinhos do cimo do Sheraton num dia de vento, mas são mensagens codificadas para só os eleitos terem acesso ao conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza desta descoberta emocionou-me tanto que me sentei imóvel durante cinco horas. Estou indeciso entre Borromância e Merdomância para nome desta nova ciência. Noto, ao escrever isto, um espasmo dos meus lábios a querer sorrir... É que eu não preciso ficar indeciso, posso provar já nas bostas a minha decisão, no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfregando-me nas paredes e no chão trouxe tantas quanto consegui para casa, coladas ao meu dhoti, e estou agora a decifrá-las uma por uma, analisando com a maior concentração. Até agora só apanhei mensagens inúteis, com números de lotaria e euromilhões, resultados da bolsa e o regresso de um tal D. Sebastião. Tenho agora de parar de escrever para analisar as restantes, enquanto o meu dhoti não fica completamente corroído pelo ácido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shanti para todos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115436117426098531?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115436117426098531/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115436117426098531' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115436117426098531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115436117426098531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/07/unindo-o-meu-talento-para-manipulao-de.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115399925162174861</id><published>2006-07-27T12:19:00.000+01:00</published><updated>2006-07-27T12:27:48.510+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Green%20Ghandi.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/320/Green%20Ghandi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Estou cada vez mais aperfeiçoado na utilização de energias alternativas. Por força mental, consigo forçar as minhas células a absorver a energia solar, como fazem as plantas. Passei toda a manhã ao sol com resultados muito positivos: a fome diminuiu e os excrementos sairam esverdeados. Não creio que seja uma abundância de clorofila nos intestinos por ter ingerido todas as plantas do apartamento, porque as cozinhei antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fontes de informação são quase todas proibidas pelo sagrado brahmacharya. Tenho tido muita dificuldade em fazer progredir a minha sabedoria, mas estou a usar a criatividade. Não posso usar a Internet para além deste fundamental blog, nem a televisão, nem livros ou jornais. Mas os livros sagrados não dizem nada sobre o Trivial Pursuit que achei caído na parte de trás de uma prateleira. Com ele tenho alargado muito a minha sabedoria sobre o mundo vegetal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O abacate é a fruta mais calórica do planeta, 167 KCal por cada 100g. Nenhuma espécie selvagem produz flores inteiramente negras. As orquídeas têm as sementes mais pequenas do mundo: são necessárias mais de 1.25 milhões de sementes para atingir o peso de um grama. A erva mais alta é o bambu, que pode chegar aos 130 pés de altura. O papel de arroz não é feito de arroz, e sim de umas árvores pequenas que há para os lados da Ilha Formosa. As flores que dependem das traças para a polinização são geralmente brancas ou amarelas, para se verem bem com pouca luz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115399925162174861?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115399925162174861/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115399925162174861' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115399925162174861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115399925162174861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/07/estou-cada-vez-mais-aperfeioado-na.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115384324087477878</id><published>2006-07-25T14:55:00.000+01:00</published><updated>2006-07-25T17:04:28.306+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hoje, depois das orações da alvorada, encontrei um vizinho meu ao pé dos contentores do lixo. Levava o lixo dele separado em saquinhos coloridos, e atirava-os ao acaso, um após outro, para os contentores coloridos, não acertando sempre as cores. Parecia orgulhoso, apesar de estar a fumar uma coisa malcheirosa. Quando me viu reconheceu-me, talvez por me ter visto ontem a sair do prédio, e apesar do meu aspecto cumprimentou-me:&lt;br /&gt;- Bom dia vizinho! Como está? - disse-me ele sorridente e sempre politicamente correcto. Acenei-lhe e sorri-lhe de volta, com o meu sorriso simpático de Ghandi. A ausência de palavras pareceu perturbá-lo, porque insistiu em "meter conversa". Era um daqueles tipos artificialmente sociáveis, que nunca deixam a popularidade em risco apesar de terem um aspecto cigano:&lt;br /&gt;- Então, também vem por o lixo de manhãzinha? Não há nada melhor do que respirar este ar fresco da manhã, não é verdade?&lt;br /&gt;- Não vim por lixo nenhum, vizinho, vim só buscar o jornal.&lt;br /&gt;Notei pela contorção de alguns músculos da face que estranhou o meu comportamento, mas esforçou-se por continuar a sorrir. Tinha um sorriso treinado.&lt;br /&gt;- Então gosta de se manter actualizado, hã?&lt;br /&gt;- Sempre, mas com a satya, perdão, a verdade, e como a verdade nunca muda eu vivo em paz. O jornal é só para limpar o rabo, porque sem dinheiro não me deixam obter papel higiénico ou guardanapos nas lojas.&lt;br /&gt;O homem riu com força, assumindo que eu estava a brincar, e mudou subtilmente de tema, falando sempre com uma curiosa intimidade.&lt;br /&gt;- Vi o senhor sair dali, onde morava o sr. Pacheco. Não sabia que o sr. Pacheco se tinha mudado. E olhe que eu tenho uma imobiliária! - gritou isto sob uma baforada de fumo, rindo ainda mais alto e dando-me uma palmada amiga nas costas que quase me desmontou os ossos frágeis - se o sr. estiver interessado, tenho casas que não imagina. Aqui, ali, acolá, em todo o lado! Tudo na moda! Azulejos do melhor que há, cortados à máquina, caríssimos! Soalhos de madeira maciça - faia, não carvalho, só do mais caro! Espelhos no hall do prédio nem pensar, não estão na moda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do discurso já me tratava por tu, como se fosse um amigo de infância, ou um irmão.&lt;br /&gt;- Faço-te um preço especial, porque tu és uma pessoa humilde. Às vezes aparecem-me gajos convencidos, estás a ver, que até dá gosto enganar, mas tu és humilde e eu para ti faço um bom negócio! Vá, pensa lá nisso! Um grande abraço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu-me um cartão e depois afastou-se. Era muito pequeno e duro, com umas arestas perigosas. Preferi o jornal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115384324087477878?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115384324087477878/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115384324087477878' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115384324087477878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115384324087477878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/07/hoje-depois-das-oraes-da-alvorada.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115374980694847483</id><published>2006-07-24T15:03:00.000+01:00</published><updated>2006-07-24T15:03:26.963+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Os grandes homens são conjunturais. Dependem do seu tempo e do seu espaço. O que seria de Napoleão sem a Revolução Francesa, de Hitler sem a opressão da Alemanha pelos vencedores da Primeira Guerra e dos progressos da Ariosofia, de Jesus sem a ocupação romana da Judeia e as profecias messiânicas do Velho Testamento? Não teriam chegado mais longe do que um trabalhador dos CTT. Também Ghandi não teria seguidores e um lugar na História se a Índia não precisasse de ser libertada dos ingleses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Eu-Ghandi, a minha acidental personalidade, não vive num país grande esfomeado de liberdade, e sim num pseudo-país pequeno necessitado de uma ditadura. Que posso fazer eu aqui enquanto Ghandi, para além de deambular pelas ruas e ser tratado como um palhaço? É a velha história da boa semente que se atira ao acaso e que se desenvolve numa árvore imensa, se calhar em terra fértil, ou em nada, se calhar numa pedra. Eu calhei em Portugal, que é um rochedo salgado. Ainda por cima com ar de indiano e sem passaporte, dinheiro ou Visa. A única coisa que restou da metamorfose foi este computador e algumas flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, quantas pessoas poderiam passar pela experiência esquizofrénica de ser Ghandi? Sinto a nostalgia de descobrir coisas com pêndulos, mas em simultâneo uma energia nova, uma força que vem de dentro, que me enche as entranhas e está prestes a explodir. Não sei como comendo tão pouco pode um organismo produzir tantos hidrocarbonetos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115374980694847483?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115374980694847483/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115374980694847483' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115374980694847483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115374980694847483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/07/os-grandes-homens-so-conjunturais.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115374274029950496</id><published>2006-07-24T11:05:00.000+01:00</published><updated>2006-07-24T13:12:35.620+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/320/Gandhi2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Esta é a minha aparência passados três dias, no regresso de ir buscar o jornal ao lixo. Estou mais magro, mais ridículo. Com sono. Apetece-me andar sem rumo sob o calor estival, os meus pés descalços a pisar passeios escaldantes, o estômago a espremer-se em protesto do prolongado jejum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou feliz e vou fazer transbordar essa felicidade para cima dos pobres. Vou ensinar-lhes a arte de ser feliz com nada. Vou ensinar-lhes a beleza e a pureza das plantas, como se arrancam e como se cozinham. Vou fazer um banquete na Avenida da Liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou-me esquecer que li Antístenes e sobre a vida de Diógenes de Sínope, que habitava um barril, Simão estilita, que vivia numa coluna, Jesus Cristo, o profeta, e S. Francisco de Assis, o vagabundo. Sinto-me mais inspirado para pregar a pobreza que todos eles juntos. Sou o mais pobre, o mais fraco e o mais humilde dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não passou uma semana e já quase não penso que tinha poderes energéticos, que era perito em radiestesia, contratado para detectar detectar poços petrolíferos no meio dos oceanos com um pêndulo e um mapa. Quase não me lembro do torpe feitiço que me lançaram, e da necessidade vital de libertar a minha alma desta prisão impregnada de caril chamada Ghandi. Vou continuar a escrever para me lembrar. Vou reflectir até me cairem os últimos cinco fios de cabelo, e vou vencer, porque a diferença entre mim e todos os estóicos é que eu sou estóico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115374274029950496?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115374274029950496/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115374274029950496' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115374274029950496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115374274029950496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/07/esta-minha-aparncia-passados-trs-dias.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115367356371345708</id><published>2006-07-23T17:34:00.000+01:00</published><updated>2006-07-23T17:52:43.736+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Por vezes tenho recordações parvas da minha vida anterior. Hoje acordei com vontade de comer nachos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem pensar, dirigi-me ao hipermercado, peguei em três pacotes de nachos e fui para a caixa. Quando chegou a hora de pagar não tinha dinheiro... Não valia a pena chafurdar no dhoti, Ghandi não usa dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fila prolongava-se e a senhora da caixa parecia impaciente. Mas não me apetecia deixar ali os nachos...&lt;br /&gt;"Sou Ghandi" - disse-lhe, certo de que a convenceria - "se me deixar levar estes nachos sem pagar permito-lhe que me siga e se junte ao swaraj, o movimento pela libertação da Índia".&lt;br /&gt;Ficou a olhar para mim, depois suspirou. Tentei outra abordagem, desta vez segredando-lhe ao ouvido para ninguém perceber:&lt;br /&gt;"Sou da casta vaishya, uma casta abastada e influente. Seria uma desonra para este estabelecimento não me conceder estes pacotes de nachos, segundo o protocolo da hospitalidade".&lt;br /&gt;A mulher não deve ter gostado do meu hálito a caril e pegou no telefone para chamar o segurança. Fiquei com uns escassos segundos para usar o último e derradeiro trunfo.&lt;br /&gt;"Estou prestes a receber o Nobel da Paz. Sabe quanto é isso? O Nobel. Muitos pacotes de nachos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura senti dois gigantes agarrarem nos meus braços esqueléticos e arrastarem-me para longe dos nachos. Irritei-me profundamente, tão profundamente que quase pensei obscenidades. Mas Ghandi não pensa obscenidades. Ghandi faz greve de fome. Enquanto me arrastavam, ameacei-os com um jejum de duas semanas. Fui posto na rua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115367356371345708?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115367356371345708/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115367356371345708' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115367356371345708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115367356371345708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/07/por-vezes-tenho-recordaes-parvas-da.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115360326976832417</id><published>2006-07-22T22:09:00.000+01:00</published><updated>2006-07-23T17:29:30.986+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Achei numa dobra do meu dhoti, ontem, um voucher para usar na piscina do Hotel Inglaterra, no Estoril. Perto de sítios ricos há sempre pobres, e eu precisava de pobres para difundir a minha mensagem. Além disso o nome do hotel parecia-me apropriado para começar uma swaraj.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não podia conduzir descalço fui de comboio. As pessoas olhavam para mim e faziam comentários sobre o lençol que tinha enrolado. "Não é um lençol", expliquei-lhes pacientemente, "é um dhoti". Algumas fugiam. Senti uma humilhação dos pés aos óculos. Ser Ghandi não era a maravilha que muitos anunciavam. Em vez de me sentir prestes a receber o Nobel da Paz, sentia-me prestes a ser ostracizado por mendicidade ou foleirice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui fugir ao revisor andando de carruagem em carruagem, até sair no Estoril. Quando apresentei o voucher na recepção do hotel apressei-me a informar que não o tinha roubado. Roubar era contra os meus princípios. Eu nem devia precisar de voucher, porque era um líder espiritual. "Satya, entendem?". E se recusassem a minha entrada fazia greve de fome, ou pior, comia-lhes as plantas que tinham à entrada.&lt;br /&gt;- Concerteza. Tem calção de banho? - perguntaram amavelmente.&lt;br /&gt;- Não, - respondi - só esta fralda enrolada no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me deixaram frequentar a piscina e expulsaram-me, como a todos os outros pobres que não encontrei. É horrível ser Ghandi, principalmente com este sol. O calor afasta os pobres, e sem pobres nem o &lt;a title="Bhagavad Gita" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bhagavad_Gita"&gt;Bhagavad Gita&lt;/a&gt; me vai valer. Começo mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115360326976832417?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115360326976832417/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115360326976832417' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115360326976832417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115360326976832417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/07/achei-numa-dobra-do-meu-dhoti-ontem-um.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115357656853086486</id><published>2006-07-22T14:38:00.000+01:00</published><updated>2006-07-22T14:57:28.813+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O mundo não me conhece ainda, mas vai conhecer. O meu nome é Jaime Pacheco e sou um especialista na captação e transformação de energias ocultas. Tenho uma vasta experiência, nomeadamente no continente africano, Escócia e Estados Unidos. Infelizmente, tanta experiência não foi suficiente para não cometer um grave erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu dia eu estava a ler a "Metamorfose" de Kafka, e achei muito interessante a transformação numa espécie de barata gigante. Gosto de baratas. São bichos robustos e determinados. Por isso decidi provocar em mim uma metamorfose semelhante, controlando as energias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparei-me durante dois meses e tentei, mas algo de muito errado aconteceu. Na manhã seguinte, quando acordei, estava transformado no Ghandi. Não sei onde falhei. Talvez as misteriosas correntes telúricas que atravessam Portugal me tenham perturbado, mas o meu instinto diz que foi um feitiço lançado por uma pessoa pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objectivo da minha vida é descobrir quem lançou esse feitiço e como o desfazer. E enquanto o faço, quero deixar este blog como relato da minha extraordinária experiência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115357656853086486?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115357656853086486/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115357656853086486' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115357656853086486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115357656853086486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/07/o-mundo-no-me-conhece-ainda-mas-vai.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31458562.post-115349462188154092</id><published>2006-07-21T16:07:00.000+01:00</published><updated>2006-07-21T16:10:21.890+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/320/Gandhi_studio_1931.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sou eu. Sou muito parecido com o Ghandi, porque fui alvo de um torpe feitiço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31458562-115349462188154092?l=jaimepacheco1000.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/feeds/115349462188154092/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31458562&amp;postID=115349462188154092' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115349462188154092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31458562/posts/default/115349462188154092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaimepacheco1000.blogspot.com/2006/07/este-sou-eu.html' title=''/><author><name>Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17221052690551112243</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2611/3405/1600/Gandhi_studio_1931.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
