
Atentos leitores:
Há muito não escrevo, e desta vez a razão não foi ser espancado. Para acalmar a curiosidade, devo dizer que fui despejado do meu apartamento e que agora sou um sem-abrigo, um sem-abrigo feliz que tem um portátil como única posse e pode publicar a sua história nas zonas wireless dos centros comerciais.
Tudo começou com aquilo a que chamam “reunião de condomínio”. Nunca tinha ido a uma. Para os que desconhecem é um evento interessantíssimo: pelo menos uma vez por ano os vizinhos de um prédio decidem conviver juntos sob a desculpa de resolver problemas pequenos. No fim do ano marcou-se a de 2006, e o meu coração decidiu antes de mim: tinha de participar nesse supremo momento de convívio.
Quando apareci no hall de entrada do prédio todos repararam em mim. Vestido com o meu dhoti e empunhando o meu cajado, sei bem, escapo um pouco à norma. Sorri. Alguns sorriram de volta. Feliz, sentei-me no chão e aguardei.
Pouco tempo depois atingira-se o quorum para a reunião poder começar. Alguns não tinham ainda aparecido. Tive pena desses, pois decerto estavam com algum assunto urgente e complicado entre mãos, lamentando a perda do evento.
O administrador abriu um dossier e perguntou se, antes de começar a ordem de trabalhos, alguém tinha alguma coisa a dizer. Pedi logo a palavra, pois um grande entusiasmo enchia o meu peito, e sendo-me oferecida essa honra comecei eu a reunião, desta maneira:
- Meus vizinhos, embaixadores da amizade humana, exemplos admiráveis de fraternidade, amo-vos a todos. Desde o princípio do mundo que as coisas se unem e desunem: assim se formaram as estrelas e os planetas, os homens e as plantas. À força de união chamamos Amor. Cada vez que ela se manifesta a compaixão, a harmonia e a felicidade fluem nas nossas veias, e devemos celebrar. Por isso proponho um farto jejum de três dias, um pela compaixão, outro pela harmonia e outro pela felicidade.
Depois de um silêncio, dedicado por cada um à introspecção, a vizinha do segundo esquerdo dirigiu-se a mim:
- Desculpe, mas quem é o senhor?
- O meu nome é Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi e moro no terceiro direito.
- Não fui notificado pelo sr. Jaime Pacheco que a respectiva fracção havia sido alienada! – protestou o administrador.
- Bem me parecia! – disse o meu vizinho da frente – Por isso é que o meu piso continua às escuras! O sr. Pacheco costumava trocar a lâmpada, dada a HABITUAL INCOMPETÊNCIA desta administração no que diz respeito a zonas comuns, e agora não há quem o faça!
- O sr. não me chama incompetente! – gritou o administrador percebendo a indirecta – se você lesse o regulamento saberia que é preciso requisitar à administração, POR ESCRITO, qualquer manutenção extraordinária às zonas comuns do prédio!
- Com todo o respeito, o sr. é um ignorante e um prepotente! Tenho comigo a lei do condomínio, quer ver? Os seus regulamentos não servem para nada, é a lei que conta!
- Amigo, não preciso de ver os seus papéis. Sou magistrado, por isso sei bem melhor do que você o que é que está na lei. Tenha respeito e aguarde a sua vez de falar. Já agora, se me permitem, aproveito esta ocasião para recusar, ã, recusar completamente uma nova administração! Resolvam como quiserem, mas vou passar isto HOJE, porque estou farto de cenas como a deste senhor!
- Eu tenho um problema na vista! Nesta vista! – disse o mesmo, ignorando se era a sua vez ou não de falar - No outro dia o elevador estava avariado e tive de subir a escada às escuras! EU TENHO UM PROBLEMA NA VISTA! E apesar dos meus pedidos esta administração não fez nada! O sr. pensa que ser magistrado lhe dá o direito de ser incompetente?
- Primeiro, o sr. fez esses pedidos a ESMURRAR-ME A PORTA às ONZE DA NOITE! Segundo, para além de ver e ler mal, também não deve ter grande ouvido, porque acabei de lhe dizer que precisava de apresentar o caso POR ESCRITO!
- Vou falar com o meu advogado! Isto não fica assim! Esta administração é TOTALMENTE INCOMPETENTE!
- Vá e não volte! Já agora, antes de se começar a ordem de trabalhos, devo-lhe perguntar: foi você o anormal sem educação que andou a espalhar bilhetes pelas caixas-de-correio a reclamar do orçamento do ano passado?
Uma senhora deu um passo à frente. Acho que era de um rés-do-chão.
- Fui eu! E anormal é o senhor, que é uma besta e um incompetente! O orçamento é uma vergonha, um lixo! Até um mongolóide fazia uma coisa mais profissional! As tabelas desalinhadas, as letras mal se vêem, feitas à mão! Não sabe que já se inventou o computador?
- Minha senhora, se faz melhor faz favor fica com a PORCARIA DA ADMINISTRAÇÃO, porque eu recuso-me a aturar mais imbecis.
- Muito bem! – avançou de repente o vizinho do lado – Porque essa senhora além de imbecil é barulhenta! Deve pensar que se ouvir a missa acima dos 100 decibéis chega mais depressa ao céu!
- Imbecil é você, e porco, que fuma no elevador!
- Ah sim? Então prove! Não consegue pois não? ENTÃO META AS ACUSAÇÕES NO MEIO DA SANTA P...
- MEUS SENHORES! – cortou o do primeiro esquerdo – Eu preciso de me deitar cedo e suponho que também tenham mais que fazer do que prolongar isto, por isso sugiro que se passe à ordem de trabalhos, e depois se alguém tiver mais alguma coisa para discutir que o faça em particular.
Todos pareceram concordar e os olhares centraram-se no administrador.
- Muito bem, passemos à ordem de trabalhos. Mas antes, só para fechar o primeiro assunto, penso que todos gostaríamos de saber quando é que o sr. Ghandi comprou a fracção ao sr. Pacheco, porque é necessário pôr em dia os inúmeros, e friso a palavra INÚMEROS, pagamentos de condomínio em atraso.
Agora os olhares centravam-se em mim. Eu estava numa posição de lotus e sorri pacificamente, como sempre faço quando tenho a honra de uma atenção.
- Sim senhor, eu explico com todo o agrado. Não comprei a casa ao sr. Pacheco porque eu sou o sr. Pacheco. Quero dizer, eu era, até um dia me metamorfosear em Ghandi por uma maldição que me lançaram. Em verdade julgo-a como uma benção, porque agora vejo a luz em toda a sua pureza, tanto a das estrelas como a do coração dos homens.
- Desculpe, mas em que regulamento é que se inserem mudanças de identidade? Conhece algum? O senhor está não só a desrespeitar a lei como não avisou POR ESCRITO a administração!
- Desculpe lá intrometer-me – interrompeu o do primeiro direito – mas Ghandi não é um revolucionário? Só lhe digo isto: eu recuso-me a viver num prédio pejado de reuniões terroristas, armas escondidas na arrecadação e portanto um potencial alvo de fiscalizações! Eu, como toda a gente, fiz uma escritura por um valor abaixo ao da venda! Não quero que me venham, por sua causa, exigir diferenças de IMT! E olhe que sei do que falo, porque trabalho na administração fiscal.
- Apoiado! – concordaram todos.
- Mas senhores, o que eu defendo é uma revolução pacífica, sem armas ou terroristas, e é para a Índia. Creiam que essa revolução até já foi realizada: a Índia é um país independente há 60 anos, para grande felicidade do seu povo. O que eu agora pretendo é uma revolução do espírito, universal. Desejo que todos os homens se amem e construam um mundo livre de guerras e tristezas.
- Olhe lá, isso até pode ser nobre, mas não é um mundo livre de guerras e tristezas que me vai pagar o IMT se este prédio for fiscalizado, ou é?
- E a multa por eu ter alterado a fachada sem autorização da câmara? Será que o sr. Ghandi a paga?
- E se descobrem os descodificadores falsos da televisão por cabo que montámos no quarto andar?
Toda a gente conversava ao mesmo tempo, uns mais irritados que preocupados, outros o contrário, levados pela histeria colectiva. Sei que era a forma deles confraternizarem e sentia-me feliz. No fundo estavam todos unidos. Unidos contra mim. A certa altura ouviu-se um berro mais alto do que os outros: era outra vez o administrador.
- Proponho a esta assembleia acrescentar um ponto aos regulamentos ditando a proibição de condóminos revolucionários em nome do bem comum. Sob quaisquer formas e feitios ideológicos e religiosos, para que ninguém se sinta alvo de discriminação.
Seguiu-se uma votação. Votei com toda a satisfação, sendo o único a levantar o braço contra o ponto em questão. Depois disso verificou-se que já era muito tarde para iniciar a agenda de trabalhos e todos dispersaram, ficando por convocar nova reunião na semana seguinte.
Decidi resistir pacificamente, de acordo com a minha filosofia, mas o processo acelerou depressa porque eu não pagava as prestações do empréstimo há sete meses. Assim fui despejado, juntamente com o meu património, que insisti ser apenas um cajado, uma fralda, um dhoti, os Vedas, os meus óculos, uma colecção de detritos de pombo reservada para o estudo da bostomância, algumas folhas de alface e um portátil. Os senhores foram muito humanos e deixaram-me ficar com tudo isto depois de me atirarem pela porta fora. Nas janelas os vizinhos sorriam aliviados.
Assim que apanhei as minhas coisas sorri para eles também e agradeci, pois tinha a honra de ser a causa dessa alegria e união. Tive sorte. A partir de então tenho deambulado mais e conhecido mais coisas. Conquistei mais histórias nobres e calorosas visões desse paraíso oculto que mora no coração dos homens.
Há muito não escrevo, e desta vez a razão não foi ser espancado. Para acalmar a curiosidade, devo dizer que fui despejado do meu apartamento e que agora sou um sem-abrigo, um sem-abrigo feliz que tem um portátil como única posse e pode publicar a sua história nas zonas wireless dos centros comerciais.
Tudo começou com aquilo a que chamam “reunião de condomínio”. Nunca tinha ido a uma. Para os que desconhecem é um evento interessantíssimo: pelo menos uma vez por ano os vizinhos de um prédio decidem conviver juntos sob a desculpa de resolver problemas pequenos. No fim do ano marcou-se a de 2006, e o meu coração decidiu antes de mim: tinha de participar nesse supremo momento de convívio.
Quando apareci no hall de entrada do prédio todos repararam em mim. Vestido com o meu dhoti e empunhando o meu cajado, sei bem, escapo um pouco à norma. Sorri. Alguns sorriram de volta. Feliz, sentei-me no chão e aguardei.
Pouco tempo depois atingira-se o quorum para a reunião poder começar. Alguns não tinham ainda aparecido. Tive pena desses, pois decerto estavam com algum assunto urgente e complicado entre mãos, lamentando a perda do evento.
O administrador abriu um dossier e perguntou se, antes de começar a ordem de trabalhos, alguém tinha alguma coisa a dizer. Pedi logo a palavra, pois um grande entusiasmo enchia o meu peito, e sendo-me oferecida essa honra comecei eu a reunião, desta maneira:
- Meus vizinhos, embaixadores da amizade humana, exemplos admiráveis de fraternidade, amo-vos a todos. Desde o princípio do mundo que as coisas se unem e desunem: assim se formaram as estrelas e os planetas, os homens e as plantas. À força de união chamamos Amor. Cada vez que ela se manifesta a compaixão, a harmonia e a felicidade fluem nas nossas veias, e devemos celebrar. Por isso proponho um farto jejum de três dias, um pela compaixão, outro pela harmonia e outro pela felicidade.
Depois de um silêncio, dedicado por cada um à introspecção, a vizinha do segundo esquerdo dirigiu-se a mim:
- Desculpe, mas quem é o senhor?
- O meu nome é Jaime Mohandas Karamchand Pacheco Ghandi e moro no terceiro direito.
- Não fui notificado pelo sr. Jaime Pacheco que a respectiva fracção havia sido alienada! – protestou o administrador.
- Bem me parecia! – disse o meu vizinho da frente – Por isso é que o meu piso continua às escuras! O sr. Pacheco costumava trocar a lâmpada, dada a HABITUAL INCOMPETÊNCIA desta administração no que diz respeito a zonas comuns, e agora não há quem o faça!
- O sr. não me chama incompetente! – gritou o administrador percebendo a indirecta – se você lesse o regulamento saberia que é preciso requisitar à administração, POR ESCRITO, qualquer manutenção extraordinária às zonas comuns do prédio!
- Com todo o respeito, o sr. é um ignorante e um prepotente! Tenho comigo a lei do condomínio, quer ver? Os seus regulamentos não servem para nada, é a lei que conta!
- Amigo, não preciso de ver os seus papéis. Sou magistrado, por isso sei bem melhor do que você o que é que está na lei. Tenha respeito e aguarde a sua vez de falar. Já agora, se me permitem, aproveito esta ocasião para recusar, ã, recusar completamente uma nova administração! Resolvam como quiserem, mas vou passar isto HOJE, porque estou farto de cenas como a deste senhor!
- Eu tenho um problema na vista! Nesta vista! – disse o mesmo, ignorando se era a sua vez ou não de falar - No outro dia o elevador estava avariado e tive de subir a escada às escuras! EU TENHO UM PROBLEMA NA VISTA! E apesar dos meus pedidos esta administração não fez nada! O sr. pensa que ser magistrado lhe dá o direito de ser incompetente?
- Primeiro, o sr. fez esses pedidos a ESMURRAR-ME A PORTA às ONZE DA NOITE! Segundo, para além de ver e ler mal, também não deve ter grande ouvido, porque acabei de lhe dizer que precisava de apresentar o caso POR ESCRITO!
- Vou falar com o meu advogado! Isto não fica assim! Esta administração é TOTALMENTE INCOMPETENTE!
- Vá e não volte! Já agora, antes de se começar a ordem de trabalhos, devo-lhe perguntar: foi você o anormal sem educação que andou a espalhar bilhetes pelas caixas-de-correio a reclamar do orçamento do ano passado?
Uma senhora deu um passo à frente. Acho que era de um rés-do-chão.
- Fui eu! E anormal é o senhor, que é uma besta e um incompetente! O orçamento é uma vergonha, um lixo! Até um mongolóide fazia uma coisa mais profissional! As tabelas desalinhadas, as letras mal se vêem, feitas à mão! Não sabe que já se inventou o computador?
- Minha senhora, se faz melhor faz favor fica com a PORCARIA DA ADMINISTRAÇÃO, porque eu recuso-me a aturar mais imbecis.
- Muito bem! – avançou de repente o vizinho do lado – Porque essa senhora além de imbecil é barulhenta! Deve pensar que se ouvir a missa acima dos 100 decibéis chega mais depressa ao céu!
- Imbecil é você, e porco, que fuma no elevador!
- Ah sim? Então prove! Não consegue pois não? ENTÃO META AS ACUSAÇÕES NO MEIO DA SANTA P...
- MEUS SENHORES! – cortou o do primeiro esquerdo – Eu preciso de me deitar cedo e suponho que também tenham mais que fazer do que prolongar isto, por isso sugiro que se passe à ordem de trabalhos, e depois se alguém tiver mais alguma coisa para discutir que o faça em particular.
Todos pareceram concordar e os olhares centraram-se no administrador.
- Muito bem, passemos à ordem de trabalhos. Mas antes, só para fechar o primeiro assunto, penso que todos gostaríamos de saber quando é que o sr. Ghandi comprou a fracção ao sr. Pacheco, porque é necessário pôr em dia os inúmeros, e friso a palavra INÚMEROS, pagamentos de condomínio em atraso.
Agora os olhares centravam-se em mim. Eu estava numa posição de lotus e sorri pacificamente, como sempre faço quando tenho a honra de uma atenção.
- Sim senhor, eu explico com todo o agrado. Não comprei a casa ao sr. Pacheco porque eu sou o sr. Pacheco. Quero dizer, eu era, até um dia me metamorfosear em Ghandi por uma maldição que me lançaram. Em verdade julgo-a como uma benção, porque agora vejo a luz em toda a sua pureza, tanto a das estrelas como a do coração dos homens.
- Desculpe, mas em que regulamento é que se inserem mudanças de identidade? Conhece algum? O senhor está não só a desrespeitar a lei como não avisou POR ESCRITO a administração!
- Desculpe lá intrometer-me – interrompeu o do primeiro direito – mas Ghandi não é um revolucionário? Só lhe digo isto: eu recuso-me a viver num prédio pejado de reuniões terroristas, armas escondidas na arrecadação e portanto um potencial alvo de fiscalizações! Eu, como toda a gente, fiz uma escritura por um valor abaixo ao da venda! Não quero que me venham, por sua causa, exigir diferenças de IMT! E olhe que sei do que falo, porque trabalho na administração fiscal.
- Apoiado! – concordaram todos.
- Mas senhores, o que eu defendo é uma revolução pacífica, sem armas ou terroristas, e é para a Índia. Creiam que essa revolução até já foi realizada: a Índia é um país independente há 60 anos, para grande felicidade do seu povo. O que eu agora pretendo é uma revolução do espírito, universal. Desejo que todos os homens se amem e construam um mundo livre de guerras e tristezas.
- Olhe lá, isso até pode ser nobre, mas não é um mundo livre de guerras e tristezas que me vai pagar o IMT se este prédio for fiscalizado, ou é?
- E a multa por eu ter alterado a fachada sem autorização da câmara? Será que o sr. Ghandi a paga?
- E se descobrem os descodificadores falsos da televisão por cabo que montámos no quarto andar?
Toda a gente conversava ao mesmo tempo, uns mais irritados que preocupados, outros o contrário, levados pela histeria colectiva. Sei que era a forma deles confraternizarem e sentia-me feliz. No fundo estavam todos unidos. Unidos contra mim. A certa altura ouviu-se um berro mais alto do que os outros: era outra vez o administrador.
- Proponho a esta assembleia acrescentar um ponto aos regulamentos ditando a proibição de condóminos revolucionários em nome do bem comum. Sob quaisquer formas e feitios ideológicos e religiosos, para que ninguém se sinta alvo de discriminação.
Seguiu-se uma votação. Votei com toda a satisfação, sendo o único a levantar o braço contra o ponto em questão. Depois disso verificou-se que já era muito tarde para iniciar a agenda de trabalhos e todos dispersaram, ficando por convocar nova reunião na semana seguinte.
Decidi resistir pacificamente, de acordo com a minha filosofia, mas o processo acelerou depressa porque eu não pagava as prestações do empréstimo há sete meses. Assim fui despejado, juntamente com o meu património, que insisti ser apenas um cajado, uma fralda, um dhoti, os Vedas, os meus óculos, uma colecção de detritos de pombo reservada para o estudo da bostomância, algumas folhas de alface e um portátil. Os senhores foram muito humanos e deixaram-me ficar com tudo isto depois de me atirarem pela porta fora. Nas janelas os vizinhos sorriam aliviados.
Assim que apanhei as minhas coisas sorri para eles também e agradeci, pois tinha a honra de ser a causa dessa alegria e união. Tive sorte. A partir de então tenho deambulado mais e conhecido mais coisas. Conquistei mais histórias nobres e calorosas visões desse paraíso oculto que mora no coração dos homens.

1 comment:
Caro sr. Ghandi, acho que há uma personagem que deverá cohecer, já que o seu lema é «humildade e perseverança»: o Cláudio Ramos. O seu blogue é www.euclaudio.blogspot.com. Diga ao dr.Inácio Serzedas que largue o padre da Lixa e coloque comentários a esta bicha falsária, convencida e cara de cu.
Desejo que a sua transformação continue pelo melhor, mau grado as dificuldades que tão bem entendo. Bem haja!
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