Observei, sentado, as pessoas na empresa. Andavam geralmente em
molhos, em direcção a algum sítio, e depois de algum tempo voltavam a passar,
ainda juntas, noutra direcção. Faziam isto inúmeras vezes, o que me fascinou. O
que faria aquela empresa? Tinha ouvido numa nova moda em que seres humanos se
reuniam para caçar criaturas inexistentes chamadas pokémons, obedecendo ao
mesmo padrão de comportamento, e foi essa a minha primeira hipótese: estar numa
empresa dedicada à caça de pokémons.
Era fascinante. Nessa altura uma rapariga muito jovem ofereceu-me
um bolinho. Agradeci e, já que não comia nada há 32 horas, devorei uma metade e
guardei a outra para dar aos pobres.
- Por favor acompanhe-me, sr. Chopra.
- O meu nome é Ghandi.
- Não é não.Veja. – respondeu ela com simpatia, mostrando-me um
email impresso com o calendário de um workshop de coaching new age apresentado
por alguém chamado “Deepak Chopra”.
- Obrigado, é muito bonito. Tantas cores. Uma delas é da bandeira
do meu país. Mas eu não sou o sr. Deepak Chopra.

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