Não esqueçais as marinhas creaturas

Monday, July 24, 2006

Os grandes homens são conjunturais. Dependem do seu tempo e do seu espaço. O que seria de Napoleão sem a Revolução Francesa, de Hitler sem a opressão da Alemanha pelos vencedores da Primeira Guerra e dos progressos da Ariosofia, de Jesus sem a ocupação romana da Judeia e as profecias messiânicas do Velho Testamento? Não teriam chegado mais longe do que um trabalhador dos CTT. Também Ghandi não teria seguidores e um lugar na História se a Índia não precisasse de ser libertada dos ingleses.

Mas Eu-Ghandi, a minha acidental personalidade, não vive num país grande esfomeado de liberdade, e sim num pseudo-país pequeno necessitado de uma ditadura. Que posso fazer eu aqui enquanto Ghandi, para além de deambular pelas ruas e ser tratado como um palhaço? É a velha história da boa semente que se atira ao acaso e que se desenvolve numa árvore imensa, se calhar em terra fértil, ou em nada, se calhar numa pedra. Eu calhei em Portugal, que é um rochedo salgado. Ainda por cima com ar de indiano e sem passaporte, dinheiro ou Visa. A única coisa que restou da metamorfose foi este computador e algumas flores.

Por outro lado, quantas pessoas poderiam passar pela experiência esquizofrénica de ser Ghandi? Sinto a nostalgia de descobrir coisas com pêndulos, mas em simultâneo uma energia nova, uma força que vem de dentro, que me enche as entranhas e está prestes a explodir. Não sei como comendo tão pouco pode um organismo produzir tantos hidrocarbonetos.

1 comment:

Anonymous said...

Gostaria de acrescentar.